Passei boa parte dos meus dias vivendo e aprendendo com eles, havia momentos certos para os beijos sedutores, abraços carinhosos, discussões que sempre acabavam com ‘eu te amo’, sorrisos sinceros. Mas em um determinado momento parecia que algo entre eles começava a se solidificar, parecia que o orgulho crescia e o amor quase não suportava, as brigas eram freqüentes, a desconfiança nascia, o desapego criava forças, a solidão então foi criando vida entre aquelas duas almas. Presenciei momentos fortes e emocionantes nessa história, me sentia envolvido, pois acompanhei o nascimento daquele amor, eu já não via mais vontade entre aqueles olhares, sentia como se tudo estivesse acabando, mas por mais que tudo pudesse parecer o fim havia em mim esperança de tudo ia voltar a ser o que era. A cada briga que era provocada, nenhum dos dois admitia o erro, e sempre exigia ter razão.
– Isso foi constrangedor, isso foi um erro! Disse a menina.
E com o coração na mão, ele sentia como se o amor crescesse cada vez mais, pois isso não o impedia de teimar com a circunstância, e dizer:
– Se sou o motivo do seu constrangimento, porque ainda insiste em nós?
A cada palavra drástica, a dor acumulava dentro de cada um, mas mesmo assim, eles continuavam com isso. Quando ela admitia o erro, ele se sentia consagrado, isso a irritava, quando ele pensava em voltar atrás, imaginava se expor aos pés dela, pois ele tinha em mente de que aquilo seria mais do que uma prova de amor, mas o orgulho dominava a sua alma.
Em certa vez fui informado de que tudo entre eles havia se acabado, só restava então à dor, às fotos, as lembranças, e as lágrimas. Resolvi deixá-los, e que se decidissem por si próprios, mas ao mesmo tempo procurei saber como estavam.
Cinco anos se passaram. – Nossa já não os vejo há cinco anos, será que ainda compartilham lutas e sonhos? Será que já nem mais se vêem? Pensei eu. Voltei, e procurei pelos dois, acabei encontrando-os no mesmo lugar em que costumávamos nos reunir nas tardes de primavera, e lá estavam eles, quando os vi levei a mão ao rosto e pensei – Isso é possível meu Deus? Sim, foi possível, cai sobre o gramado de joelhos, ainda não acreditando no que via. Era uma imagem de reflexão, amor e pura superação, e por fim, orgulho. Eu o vi claramente sobre o colo de sua esposa, enquanto sua pequena filha brincava, e a poucos metros dali, pude reconhecê-la, compartilhando carinho com o seu companheiro, passeando com um singelo cãozinho. Percebi que eles haviam vencido o fim, e construído novas vidas, achei uma atitude bonita, uma bela lição de vida, pois parei e pensei – E aquele amor inabalável, aonde foi parar? Conclui que não existia explicação para aquilo, pois tive a certeza de que em algum lugar ele estava.
Foi quando os dois se cruzaram, o mundo na hora parou pra mim, a minha reação era a de uma estátua, foquei o olhar naquele instante, quando os dois por fim se reconheceram, jamais vou esquecer aquele momento, quando sentiram a velha brisa do amor tocar em seus rostos, eles se olharam diretamente um no olho do outro, a imagem era semelhante a uma produção de Hollywood, o pôr-do-sol ainda era intenso, e reluzia nos olhos dos dois, o brilho era perfeito, depois de um olhar que voltou no tempo, um sorriso gratificante aconteceu naquela fração de segundo, aconteceu junto aos dois, um sorriso que agradeceu a vida, um sorriso que era traduzido por uma história construída, e que parecia dizer ‘Foi por você! Por você aprendi a entender a vida, e a viver. Por você aprendi o significado da palavra amor. Por você valeu a pena viver dias intensos de um amor inabalável’.
Depois de esse momento marcante ter passado na minha vida, sem ao menos saudar aquelas duas almas, segui o rumo dos meus dias, e por fim, tive a certeza de que o que um dia foi verdadeiro, sincero e prazeroso, o amor que um dia abraçou aquelas duas estrelas, o carinho, a maneira que como se beijavam, o modo de como eram um com o outro, a história que construíram juntos, tive a certeza que podem-se passar milênios, onde estiverem aquelas duas almas, elas sempre surgiram pra poder se completar, o amor que não é arranjado e sim descoberto, jamais vai se solidificar nos mares da vida.
j. monteiro
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